Associação de Educação não-formal, o CNE conta exclusivamente com o voluntariado dos seus associados adultos para implementar o método escutista nas suas cerca de 1000 unidades locais e mais de 30 estruturas organizativas nacionais e intermédias.

Dito assim, até impressiona. Mas quem são estes “voluntários adultos” – Todos Nós!?

Estatisticamente, o CNE é a maior associação juvenil em Portugal, que é um dos países com mais baixo índice de voluntariado na Europa. como sobrevivemos, apesar desta realidade? A realidade de muitos dos nossos agrupamentos é frequentemente a de um ou dois adultos (fisiologicamente menos jovens), que, abnegadamente, suportam o desafio através de gerações de jovens dirigentes que rodam todos os anos.A taxa de rotatividade dos dirigentes, nas grandes áreas metropolitanas, é hoje excessiva para garantir continuidade nas estratégias necessárias e no programa educativo do nível local.

Como enfrentar a “crise”? Que ESTRATÉGIAS para disputar um universo profissional cada vez mais competitivo, exigente e absorvente? Que COMPROMISSO esperar, com que tempo? Que estímulos para quem se entrega pelo IDEAL, sem nada esperar em troca?

A assumida opção do CNE por um escutismo mais exigente, pedindo uma maior entrega e preparação dos dirigentes, implica uma reflexão profunda deste contexto externo, desafiante, mas ameaçador.

Se o CNE pretende afirmar-se, cada vez mais, como uma associação orientada para a EDUCAÇÃO, ainda que no plano não-formal, precisa apresentar os seus dirigentes como adultos bem formados, informados, motivados, convictos e … disponíveis! Também os temos, mas temos de conservar e aumentar o seu número para que sejam suficientes.

O padrão de disponibilidade extra-laboral dos adultos alterou-se, reduzindo-se drasticamente nos últimos dez anos. Embora tenhamos ainda entre nós aqueles que conseguem o milagre de se desdobrarem entre uma profissão exigente, uma família estável e uma dávida integral e infalível ao Escutismo, precisamos de mais.

Temos sempre a oportunidade de formar melhor os nossos Caminheiros no caminho do voluntariado, dentro ou fora do CNE, e o novo Projecto Educativo da IV dá um passo nesse sentido.

Mas é também urgente uma estratégia de divulgação e angariação de adultos entre os sectores certos do nosso público adulto, a qual, enquanto estratégia, se resume hohe aos paroquianos dos locais onde se abrem novos agrupamentos. É urgente intervir na imagem pública do CNE, sem abdicar da nossa especificidade católica, mas trazendo-nos mais a PÚBLICO, como o justifica a dimensão do nosso efectivo.

Está aí o Dia Internacional do Voluntariado, comemorado a 5 de Dezembro. Institucionalmente, o Movimento Escutista também o celebra. Também nós podíamos aproveitar a ocasião, tanto a nível institucional como local, para lembrarmos aos outros portugueses que existimos por uma missão de voluntariado e orientada para o futuro, pelos jovens!

José Guilherme
Agrupamento 53 Serafina (Região de Lisboa)
in “Flor de Lis” n.º 1184 – Novembro 2008, na secção “Acha na Fogueira”